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Os adolescentes e o atleta cristão

A adolescência é um período de grandes transformações que farão da criança um adulto.

 Os adolescentes e o atleta cristão
As modalidades esportivas têm atraído a atenção dos homens desde os primórdios.

Elas representam uma forma de cada desportista demonstrar habilidades e afirmar força e inteligência, superando seus oponentes e conquistando um posto de destaque entre os competidores e a sociedade. Os esportes possuem uma atração especial sobre os adolescentes. A adolescência é um período de grandes transformações que farão da criança um adulto. É uma fase muito importante da vida para a formação do caráter e nela ocorrem grandes mudanças físicas, mentais, sociais, emocionais e espirituais. A velocidade do crescimento e a rapidez das mudanças bruscas ocorridas em todas as áreas da vida do adolescente provocam muita instabilidade.

Ora quer ser tratado como adulto e procura agir como tal, ora quer ter privilégios de criança, e ainda se comporta como se estivesse na infância. Há grande necessidade de auto-afirmarão e de identificação com um padrão. O desejo de alcançar liberdade e conquistar seu espaço faz com que os adolescentes enfrentem dificuldades no trato com pais, professores e líderes. Muitas vezes eles se sentem injustiçados e incompreendidos, o que pode resultar em certo grau de rebeldia e indisciplina. Esta é a época em que as paixões vão começar a surgir, levando- os a um comportamento diferente, com o qual não estão habituados. 

É nesta fase onde vão eleger seus ídolos, heróis e referenciais. No esporte os adolescentes podem encontrar uma forma de controlar estes impulsos e reafirmar sua imagem diante da sociedade. O Brasil está diretamente envolvido em dois grandes eventos esportivos que ocorrerão nestes próximos anos, em nosso país: A Copa do Mundo de Futebol e as Olimpíadas. O fato de a sociedade estar com os olhos atentos a estes eventos pode ser utilizado para atrair a atenção dos adolescentes para os temas abordados nesta lição. 

É uma rica oportunidade de extrair lições preciosas sobre a capacidade, o preparo, as habilidades e o compromisso de um atleta e aplicá-las à vida cristã. O apóstolo Paulo viveu no mundo romano, que era fortemente marcado pelas competições esportivas, com destaque para as corridas e as lutas. Os jogos e as disputas atléticas eram muito comuns na época do Império Romano. 

Eram utilizados para o condicionamento físico de seus soldados, além de impor sua superioridade sobre os povos conquistados. Vivendo neste contexto, o apóstolo Paulo usa os conceitos das modalidades esportivas para apresentar verdades espirituais. 

Os adolescentes comumente admiram os seus atletas favoritos e procuram imitá-los. Eles costumam reproduzir a maneira como se comportam no campo, na quadra ou na pista. Copiam os movimentos e repetem as ações que realizam durante a prática do esporte. Usam até mesmo as roupas e os acessórios esportivos, na tentativa de ficar parecidos com aquele atleta que admiram. Se quiserem, entretanto, se tornar tão habilidosos quanto aqueles atletas nada disto trará resultado prático. Usar as mesmas roupas, fazer as mesmas expressões e reproduzir os mesmos movimentos dos atletas terá efeito apenas na aparência. Quem quer, realmente, se tornar um grande atleta deverá imitar a disciplina e a dedicação de um grande atleta. 

É o que ele faz durante o período de preparação, fora do local da atividade desportiva, que produz a habilidade e a capacidade de realizar grandes ações durante a competição. Um verdadeiro cristão também terá grande desempenho na vida espiritual se buscar com dedicação e afinco desenvolver as virtudes cristãs, através da prática de disciplinas espirituais, as quais, exercitadas ao longo da sua vida, o transformarão em um cristão aprovado. Como disse o apóstolo Paulo, “subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.” (1Cor 9.27). A preparação física individual do atleta, entretanto, não é suficiente para vencer as disputas. 

Mesmos os esportes individuais exigem a formação de uma equipe, comandada por um treinador, que possa definir e aplicar a estratégia escolhida para aquela disputa. Da mesma forma, o cristão precisa da ajuda e orientação do Espírito Santo para ser bem sucedido na carreira espiritual. Aspectos importantes como a disciplina necessária para a repetição de tarefas fundamentais para o desenvolvimento de habilidades, o compromisso com o resultado e a perseverança nas disputas, assim como a ajuda, o respeito e o apoio em equipe, necessários à formação de um grupo de pessoas que alcança resultados no esporte, devem ser utilizados para apresentar verdades espirituais como a submissão a Cristo, a dependência no Espírito Santo e a vida de santificação, entre outras doutrinas bíblicas importantes para o desenvolvimento do caráter do adolescente cristão. 

Os juvenis e os fundamentos da nossa fé

Todo edifício precisa ser construído sobre uma base sólida que lhe dê sustentação. Jesus alertou sobre a necessidade de um alicerce que possa sustentar a obra para que não desabe (Mt 7.25). O apóstolo Paulo compara a igreja com um edifício, que foi construído sobre o melhor fundamento: Cristo (1Cor 3.9-11). E este alicerce é a revelação de Deus apresentada através dos ensinos das Escrituras, como está escrito: “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina” (Ef 2.20). Os fundamentos da nossa fé são as doutrinas basilares do conhecimento cristão. Elas representam a base sobre a qual está estabelecida a nossa vida cristã, tanto no tocante à fé, quanto à prática. 

Quanto mais conhecemos a Deus, através da sua Palavra, mais o amamos (Jo 14.21-14). Nossa doutrina determinará como viveremos. O que fazemos ou deixamos de fazer, em casa, na escola ou na igreja, é determinado pelo que cremos. Para ter uma vida espiritual sadia e equilibrada precisamos conhecer melhor a Deus e sua Palavra. O apóstolo Paulo afirma que, como todo corpo sadio, precisamos crescer e amadurecer na fé, “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Ef 4.14). E o escritor da Epístola aos Hebreus reclama da falta de amadurecimento dos cristãos, que ainda se alimentam de comida de menino e não são experimentados na Palavra, embora tenham muito tempo de fé. E isto porque ainda não dominam os rudimentos da fé (Hb 5.12-14). 

Juvenis estão em processo de crescimento espiritual e precisam de uma base fi rme de doutrina bíblica para amadurecer de forma natural e se tornar cristãos vigorosos e bem fi rmados. Além disto, estão iniciando uma vida acadêmica, na qual serão confrontados pelo mundo ateu e testados quanto à sua fé. Eles precisam ter firmeza para defender a sua fé, como afi rma o apóstolo Pedro (1Pe 3.15). Deus não é uma ‘coisa’, poder, ou infl uência. Ele pensa, sente desejos e age de forma que mostram ser Ele um Ser pessoal vivo. Mas Ele não é apenas ‘o homem lá de cima’ ou algum tipo de ‘super-homem’. 

Ele é o soberano arquiteto e construtor do universo, o único que detém todo o poder e merece toda a adoração. Há somente um Deus verdadeiro. Todavia, Deus se relevou como uma ‘trindade’ de três pessoas — o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo, cada um dos quais é verdadeiramente, plenamente e igualmente Deus. Jesus Cristo não é apenas a maior personagem da história, mas o próprio Deus e o redentor da humanidade. Ele existia eternamente antes da criação, juntamente com o Pai, antes de todas as coisas existirem. Entretanto, Jesus teve um nascimento humano. Ele não era um espírito disfarçado de pessoa nem um alienígena, pertencente à outra raça. 

Era um ser humano, nascido em corpo humano. Ele teve nomes humanos e um desenvolvimento humano normal: cresceu, engatinhou, aprendeu a andar, como todas as crianças humanas. Ele morreu, mas ressuscitou ao terceiro dia e vive para sempre. O Espírito Santo é uma pessoa. Não podemos ser enganados pelo fato dele não possuir um corpo visível, porque a personalidade não é definida pela aparência exterior, mas por quem somos, interiormente. O que distingue as pessoas dos animais não é a pele, nem o formato do corpo, mas a capacidade de raciocínio e cognição, a volição, a emoção e o intelecto. Ele tem ações e atitudes de uma pessoa: fala (At 13.2), escolhe (At 20.28) e decide (At 15.28). Além disto, possui sentimentos, pois tem vontade (1Co 12.11; At 16.7), sente-se magoado (Is 63.10) e triste (Ef 4.30). 

A Bíblia não é apenas um livro importante, mas a única fonte confiável para conhecer a Deus e compreender seus propósitos. Ela não contém, apenas, a Palavra de Deus, mas é a própria fala de Deus aos homens; não relata, apenas, a Verdade, mas é a única Verdade; não registra, apenas, um conjunto de regras, mas é o único manual de regra e prática. Assim sendo, a leitura, estudo e meditação da Bíblia não é somente importante, mas indispensável para todos os que querem conhecer a Deus e saber a Sua vontade. Estas e todas as principais doutrinas bíblicas precisam ser ensinadas aos jovens cristãos, para que possam conhecer o autor, o meio e os benefícios da salvação, saber afirmar, com segurança, quem são e para onde vão, e viver uma vida que agrade a Deus e dê testemunho de sua fé. 

Márcio Klauber Maia é ministro do evangelho, professor e diretor do CETAD – Centro de Educação Teológica da Assembleia de Deus em Natal(RN), autor do livro O Caminho do Adorador (CPAD, 2007).
 

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